quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Os Desafios Após a Compra de Bicicletas e Scooters Elétricas no Brasil: Custos, Peças e Falta de Suporte Técnico

Nos últimos anos, bicicletas e scooters elétricas conquistaram espaço nas ruas brasileiras. Seja como alternativa ao transporte público lotado, escape do trânsito caótico ou opção econômica frente aos altos preços dos combustíveis, a mobilidade elétrica passou a ser vista como uma solução prática, silenciosa e sustentável.

No entanto, após o entusiasmo da compra, muitos proprietários descobrem que manter esses veículos funcionando nem sempre é simples. A escassez de mão de obra especializada, a dificuldade de encontrar peças — principalmente para modelos importados —, o alto custo de manutenção e políticas restritivas de algumas concessionárias são obstáculos que podem transformar a experiência de uso em um verdadeiro desafio.

Neste artigo, vamos explorar em detalhes essas dificuldades, apresentar exemplos concretos e sugerir caminhos para que os consumidores se preparem antes de investir em um veículo elétrico.


1. Falta de mão de obra especializada na maioria das cidades brasileiras

Uma das queixas mais comuns de proprietários de bicicletas e scooters elétricas é a dificuldade em encontrar técnicos capacitados. Fora das capitais e grandes centros, é raro encontrar oficinas que realmente entendam de motores hub, controladoras, sistemas de pedal assistido (PAS) ou reparos em baterias.

Oficinas tradicionais de bicicletas, em geral, dominam mecânica convencional — câmbios, freios, rodas — mas não têm experiência com eletrônica embarcada. Já as oficinas de motos muitas vezes não se interessam pelo conserto de veículos elétricos por considerarem um segmento “de nicho” ou de baixo retorno financeiro.

Essa lacuna técnica traz consequências diretas:

  • Reparos simples, como a troca de um sensor Hall no motor, podem levar semanas.

  • Problemas elétricos, como infiltração de água em motores selados, exigem ferramentas e conhecimento que poucos têm.

  • Em muitos casos, o veículo precisa ser enviado para outra cidade ou até outro estado para manutenção, elevando custos e deixando o proprietário sem transporte.

Para agravar, cursos de capacitação na área são escassos e a maioria é oferecida por fabricantes apenas a representantes autorizados, dificultando o surgimento de oficinas independentes especializadas.


2. Dificuldade para encontrar peças para modelos importados

O mercado brasileiro ainda é fortemente dependente de importações de peças para veículos elétricos. Embora haja produção nacional de alguns modelos de bicicletas elétricas, grande parte das scooters e dos componentes eletrônicos vêm da China.

Quando o modelo adquirido não possui representante oficial no país, o consumidor enfrenta um dilema: importar a peça diretamente — lidando com prazos de entrega que podem ultrapassar três meses e com a cobrança de impostos — ou tentar adaptar peças genéricas, correndo o risco de incompatibilidade.

Entre os itens mais difíceis de encontrar estão:

  • Controladoras específicas

  • Motores hub de dimensões não padronizadas

  • Painéis digitais e displays de bordo

  • Sensores proprietários

  • Peças estruturais como suportes, garfos e carenagens

Em alguns casos, mesmo quando a peça é encontrada no Brasil, ela pode ser de segunda mão ou retirada de veículos sucateados, o que não garante durabilidade.


3. Preço alto de peças para alguns modelos importados

Quando as peças originais estão disponíveis no mercado nacional, o preço pode assustar. A combinação de baixa demanda, impostos de importação e margens de lucro elevadas faz com que o valor seja muitas vezes duas ou três vezes maior do que no mercado internacional.

Um exemplo comum é a bateria de lítio de 48V 15Ah:

  • No exterior: cerca de US$ 250 (aproximadamente R$ 1.300, sem impostos).

  • No Brasil: entre R$ 3.000 e R$ 5.000, dependendo da marca e do revendedor.

O mesmo vale para motores, controladoras de alta potência e até peças simples, como manoplas com acelerador embutido. Para quem precisa manter o veículo sempre pronto para uso, esses custos podem se acumular rapidamente, tornando a manutenção quase tão cara quanto a compra de um novo modelo.


4. Política de algumas concessionárias que não atendem pessoas não clientes

Um ponto polêmico é a postura de certas concessionárias e lojas autorizadas que só realizam manutenção em veículos vendidos por elas mesmas. Essa prática deixa de fora consumidores que compraram de terceiros, pela internet ou em revendedores não autorizados.

O problema é particularmente sério no caso de scooters, que possuem sistemas elétricos e mecânicos mais complexos do que bicicletas e exigem peças específicas.

Essa política restritiva não apenas prejudica o cliente final, mas também contribui para o aumento de veículos abandonados ou inutilizados por falta de manutenção adequada.


5. Preços das baterias

A bateria é o “coração” da bicicleta ou scooter elétrica — e também um dos componentes mais caros. Dependendo do tipo e da capacidade, ela pode representar de 30% a 50% do valor total do veículo.

Além disso, a vida útil varia de acordo com a tecnologia:

  • Baterias de chumbo-ácido: 1,5 a 3 anos, com uso e cuidados adequados.

  • Baterias de lítio: 3 a 5 anos, podendo durar mais se bem preservadas.

Valores médios no Brasil:

  • Kit de 4 baterias de chumbo-ácido 12V 16Ah → R$ 1.200 a R$ 1.800

  • Bateria de lítio 48V 15Ah → R$ 3.000 a R$ 5.000

  • Bateria de lítio 60V 20Ah (para scooters de maior porte) → R$ 4.500 a R$ 7.000

A troca da bateria é inevitável após alguns anos, e sem planejamento, esse custo pode ser um golpe no orçamento do proprietário.

Outro problema é a falta de reciclagem adequada: no Brasil, ainda é comum baterias velhas serem descartadas de forma incorreta, gerando impactos ambientais.


6. Possíveis soluções e alternativas para os consumidores

Embora os desafios sejam grandes, existem estratégias que podem reduzir problemas e custos a longo prazo:

  1. Pesquisa antes da compra

    • Optar por marcas com representação oficial e assistência técnica ampla no Brasil.

    • Verificar a disponibilidade e preço das peças antes de fechar negócio.

  2. Compatibilidade de componentes

    • Preferir modelos que utilizem peças padronizadas e fáceis de encontrar no país.

  3. Rede de apoio entre proprietários

    • Participar de grupos online para troca de experiências, dicas e até peças usadas em bom estado.

  4. Manutenção preventiva

    • Realizar inspeções regulares para evitar que pequenos problemas se tornem grandes reparos.

    • Proteger o veículo contra água e umidade, grandes vilões da eletrônica embarcada.

  5. Capacitação técnica local

    • Incentivar oficinas da cidade a buscar cursos e treinamentos sobre mobilidade elétrica.

  6. Cuidados com a bateria

    • Seguir rigorosamente as orientações de carregamento e armazenamento para prolongar sua vida útil.


Resumindo

As bicicletas e scooters elétricas representam uma mudança importante no transporte urbano brasileiro, oferecendo economia, praticidade e menor impacto ambiental. No entanto, para aproveitar esses benefícios de forma contínua, é preciso estar ciente dos desafios que podem surgir após a compra.

A falta de mão de obra especializada, a escassez e o alto custo de peças, políticas restritivas de atendimento e os preços elevados das baterias são barreiras reais que afetam milhares de usuários.

Planejamento, informação e escolhas conscientes podem fazer toda a diferença. Pesquisar marcas, conhecer a rede de assistência disponível e cuidar adequadamente do veículo são passos essenciais para garantir que a experiência com a mobilidade elétrica seja positiva e duradoura.

O mercado brasileiro ainda tem muito a evoluir nesse segmento, mas com o crescimento da demanda e a pressão dos consumidores, é provável que vejamos melhorias significativas nos próximos anos.


Até o próximo!


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Um comentário:

  1. Excelente material sobre os elétricos, tudo o que foi dito se estende a motos e carros elétricos, apesar de ser o "futuro" da mobilidade urbana, ainda estamos longe de ter um mercado maduro e preparado. Mas vamos em frente

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